A irresponsabilidade com o dinheiro público é extremamente prejudicial à sociedade e traz consequências negativas para os próximos anos. Tem sido rotineiro nas gestões municipais e federais gastar além do que possui e deixar os problemas ao gestor seguinte, ou mesmo exceder os gastos, se reeleger, e jogar a conta (somando os desvios de corrupção) no colo do povo. Parece ser dificílimo, no Brasil, formar uma gestão fiscalmente responsável e que gaste apenas o que tem. Ao inverso, governos gastam acima do que arrecadam, criando um ambiente desfavorável por gerar incerteza sobre serviços e impostos futuros. Políticos não são máquinas de altruísmo, e, como qualquer outra pessoa, também defendem seus próprios interesses. Se considerarmos a ganância como parte do dilema humano e, é claro, pela facilidade de negócio que o Estado proporciona, políticos podem, precipitadamente, serem guiados por incentivos escusos, conflitantes dos interesses do povo. Quando acontece, escancara uma tremenda falta de responsabilidade com o dinheiro do pagador de impostos, trazendo conseqüências negativas devastadoras, tanto no âmbito econômico como social. A solução para que políticos não potencializem interesses individuais em detrimento da nação remete à função do voto e como ele é utilizado pelos brasileiros. Obviamente, sendo o voto um ato humano, estará sujeito a pressões e incentivos. O eleitor tem embutido em si algum cálculo informal de custos e benefícios do seu voto. O voto aparentemente não traz efeitos diretos para o eleitor, pois sabe que um único voto em nada interfere no resultado do pleito. Mas quando os votos se acumulam os efeitos são potencialmente enormes e afetam toda a sociedade indiscriminadamente, e não só quem votou no candidato eleito. Não há dúvidas de que boa parte da população deposita um voto de confiança visando à nação e o bem estar da sociedade. Mas é certo que outra parte, completamente diferente, vota apenas por obrigação, escolhendo candidatos sem qualquer critério. Outra parte, pior ainda, usa o voto para receber um trocado, quitar dívidas pendentes ou buscar favores e cargos no Estado. Apesar da distinção entre as ações, em qualquer dos casos o indivíduo estará atuando sua cidadania. Porém, em apenas um dos casos o eleitor estará em busca da melhoria do governo para obter algum retorno nos suados impostos que paga. Nos outros casos, não há como ter a menor perspectiva de melhoria do setor público e probidade da gestão, muito menos desenvolvimento na saúde e na educação. As distinções do voto diferem os resultados do governo exatamente por propiciar a irresponsabilidade com os impostos, eis que candidatos incompetentes e muitas vezes desonestos são eleitos. A classe política e boa parte dos eleitores não parecem entender a ideia e a necessidade de um Estado fiscalmente responsável e que gaste apenas o que tem. Toda gestão pública irresponsável enfrenta dificuldades com as contas públicas, o que emperra qualquer renovação econômica e, aliada aos intermináveis problemas políticos, não consegue dar continuidade a qualquer projeto ou plano de governo. Dadas às características, o voto parece dizer muito sobre uma pessoa, eis ser a demonstração de como este utiliza a sua cidadania. Se política é, como diziam os antigos, uma barganha entre pedintes, que o pedido do eleitor seja a realização de um governo ético. Mas se falta boa vontade do eleitor na hora de escolher seu candidato, fica difícil culpar os eleitos por falta de boa vontade política. O voto não tem preço, tem consequência. Sem uma estrutura de poder pautada na ética é impossível haver progresso, pois se abre a possibilidade da irresponsabilidade com o dinheiro do Estado, isto é, do pagador de impostos. Terceirizar responsabilidades também não criará prosperidade. Sendo o voto a arma para a mudança do ambiente político, usá-lo de forma pueril será apenas para perpetuar a escravidão entre poderosos que usam o Estado para lucrar e o povo que não recebe retorno em serviços públicos mesmo pagando absurdos impostos. Cria-se uma insensatez no que tange ao conceito de política e democracia quando vemos a enorme relação existente na irresponsabilidade de governos e o voto, conquanto o poder emane do povo. De fato, é muito prejudicial à sociedade políticos que não priorizam o interesse público, além de resultar um Estado que não contribui em absolutamente nada para o bem-estar da população. Ao contrário, ele subtrai nosso padrão de vida. Infelizmente, tem se tornado bastante usual ignorar a realidade. No entanto, é impossível ignorar as consequências de ignorar a realidade e por isso que a realidade sucumbe tão facilmente aos tolos e atuantes de ideologias muito rígidas. O voto também é o alento a impedir a irresponsabilidade de políticos já que mudar o meio (consequentemente a própria vida) não depende do acaso ou do destino, mas da nossa própria vontade. Como disse Herman Hesse, se o mundo está tão cheio de negatividade, consolemos o coração recolhendo as flores que crescem no meio da escuridão. (Por Gabriel Boccia)
O elo entre o voto e a irresponsabilidade de políticos
- Autor do post:Gabriel Boccia
- Post publicado:27 de junho de 2022
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