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Brasil: muito imposto e pouco retorno

O Brasil tem uma das mais altas cargas tributárias do mundo. Cerca de 40% de tudo o que gastamos e produzimos é confiscado pelo governo, entre o que pagamos em tributos ao adquirir mercadorias e serviços, além de taxas e contribuições retidas direto do salário do trabalhador. Já o governo é composto por representantes eleitos pelo povo, que carregam a obrigação de gerir e aplicar os recursos públicos provenientes dos impostos. Ser político é uma função de muita responsabilidade, pois são os gerenciadores dos impostos pagos pelo cidadão. Bem por isso, os representantes do governo são escolhidos pelo povo e tempo de mandato. Analisando a situação atual do Brasil, vemos que esquemas de corrupção se proliferam, contaminando as esferas dos poderes, as empresas estatais e quebrando os cofres públicos. O Mensalão e o Petrolão são casos marcantes de corrupção esquematizada, sem dizer tantos outros casos em municípios de todos os estados. Isso denota que, infelizmente, o Brasil sofre de um mal que atrasa o progresso da população, o que faz com que o governo, mesmo arrecadando boa parte da renda de cada cidadão, não consiga, em troca, oferecer serviços públicos de qualidade. A educação é precária, a saúde é um caos e a segurança pública é mínima (sem contar a desvalorização da moeda). É importante lembrar que sempre é o povo que paga a conta da corrupção e da incompetência dos políticos, quando não vê o retorno de seus impostos e/ou sofre aumento de taxas tributárias. É muito claro que o Brasil não vive os seus melhores momentos, estando em crise em vários setores da sociedade. Considerando que política se traduz nas formas de se conduzir o Estado, é evidente que foram as ações e atitudes dos nossos governantes que motivaram a crise, tanto no plano econômico quanto no ético. E não só o que governos fazem afeta diretamente muita gente, como o exemplo também tem peso. Uma nação se faz com exemplos e é por isso que as atitudes de um governante devem ser exemplares, pois é um modelo de ação observado pelo cidadão. Mas, se o brasileiro é um povo honesto (o que acredito piamente), por que falta honestidade na política brasileira? Parece-nos que o povo brasileiro ainda não aprendeu a votar. Isso seria preocupante se nossa Democracia não existisse há apenas três décadas. Com tanta coisa errada, é compreensível o descrédito das pessoas em relação à política. Mas, ao mesmo tempo, enquadrar nossos representantes em um universo de honestidade – o que mudaria toda a lógica da sociedade e da destinação dos recursos públicos – não é tão complicado assim. O pensamento e a necessidade do imediato fazem com que muitos percam a chance de exercer a sua cidadania, trocando seu voto por migalhas e criando um ciclo vicioso de corrupção. Esquecem, infelizmente, do que virá no futuro e quais serão as ações que o representante eleito terá pelos próximos quatro anos. Se o governo literalmente confisca cerca de 40% da renda dos brasileiros em impostos, por certo que o voto do cidadão deve ser pensado em como o representante age com este dinheiro, se será por benefícios próprios ou ao interesse da coletividade. Afinal, é o seu dinheiro. Creio eu que a oportunidade é um paralelo com a honestidade, e por isso a honestidade é e sempre será a melhor política. Porém, não podemos esquecer que, aparentemente, por eliminação, a desonestidade é a segunda melhor política. (Por Gabriel Boccia)