A sociedade brasileira está em processo de evolução da consciência. A importância do voto, a luta pelo bem comum, a participação popular na política, o senso de pertencimento da sociedade, a revolta inconteste causada pela corrupção, fazem cada vez mais que os indivíduos tornam-se parte do processo de melhoria do bem comum. Sabe-se que a sociedade é a combinação de esforços individuais, fruto da ação humana, isto é, apresenta um esforço consciente para a realização de determinado fim. No caso da participação popular e do controle social, grandes esforços individuais já foram e continuam sendo feitos, por pessoas que entendem que o preço da liberdade é a eterna vigilância. Por isso ações pontuais continuam surgindo, mesmo que os atos públicos não sejam tão transparentes, no Brasil nem todos os atos públicos são realmente públicos, o que dificulta o controle social, inviabilizando dessa forma a participação popular por não haver divisão de trabalho no controle social. Ainda hoje poucas pessoas desejam se envolver na política, por fatores culturais que envolvem a ação pública, as pessoas de bem se afastaram da vida pública, dando espaço aos maus intencionados, estes por sua vez estão blindados dentro da estrutura de estado, envoltos em privilégios e mordomias. Apesar de ser crescente o interesse popular na participação e no controle dos gastos públicos, o sistema perverso continua forte e coeso, haja vista que a população de forma geral desconhece o método e o funcionamento das instituições, um exemplo que costumo dar nas rodas de discussão é a questão do sistema eleitoral, em especial a questão da eleição proporcional de deputados e vereadores, são poucos os que entendem o perigo e os riscos à democracia que se pode ter eventualmente neste sentido, pois o voto proporcional favorece os corruptos que compram votos. De modo geral, conhecemos pouco o funcionamento do estado, não entendemos sequer quais as funções básicas do governo e nossos direitos, acabamos por abarrotar o judiciário na esperança de anos depois ter deslinde positivo, pouco sabemos do pacto federativo e das competências de cada ente federativo. Isso acontece porque o sistema não é virtuoso ou modelado à atender as necessidades da população, na saúde, educação ou segurança, ao que parece, o modelo atual de estado é feito para perpetuação e hegemonia política dos principais partidos, são os que fazem as leis e mandam e desmandam no país. Se os cidadãos estivessem empenhados na construção de uma sociedade mais justa, com certeza não permitiríamos que nosso dinheiro fosse usado em campanhas políticas e na manutenção de partidos condenados como corruptos, fundos eleitorais bilionários, empréstimos malucos a países ditatoriais, diversas mordomias para o congresso e o judiciário mais caro do planeta ou, por mais absurdo que pareça, termos o Supremo Tribunal Federal como um tribunal defensor da malversação política, feito por pessoas indicadas pelos barões da politicagem brasileira. O processo de evolução que mencionei no início do texto faz parte do entendimento da importância individual, onde cada brasileiro tem em si a vontade genuína de fazer o bem. No entanto, isto somente vai gerar efeitos positivos no futuro se houver intenso trabalho educacional, espalhando as ideias certas podemos inverter as premissas quanto ao real funcionamento do estado e onde devemos utilizar os recursos dos pagadores de impostos. A sociedade se mantém coesa não pelo estado, mas sim pelas ações diárias e cooperativas de seus membros. O que não podemos perder é nossa fé e esperança que a população esteja cada vez mais atuante para o progresso do país e da sociedade, com mais transparência e participação estaremos prontos para a construção de uma sociedade mais justa. (Por Gabriel Boccia)
